Projeto cria canal de denúncias contra violência sexual nas escolas e pressiona Estado por resposta rápida

Projeto cria canal de denúncias contra violência sexual nas escolas e pressiona Estado por resposta rápida

Avançou na Assembleia Legislativa do Espírito Santo o projeto de lei que cria um Canal de Denúncias específico para casos ou ameaças de violência sexual nas escolas da rede estadual. A proposta, de autoria do deputado Denninho Silva (União), busca fechar uma das principais brechas do enfrentamento ao problema: a dificuldade das vítimas em denunciar e receber resposta rápida.

Pelo texto, o canal permitirá que alunos, pais, professores e demais integrantes da comunidade escolar comuniquem diretamente ocorrências às forças de Segurança Pública e à Secretaria de Estado da Educação, criando um fluxo unificado de atendimento. A ideia é evitar que denúncias fiquem “perdidas” em setores burocráticos e garantir ação imediata diante de situações de risco.

O projeto define violência sexual como qualquer episódio de atentado ou ataque que viole a integridade física e psicológica dos membros da comunidade escolar. Além do canal de comunicação, a proposta obriga o Estado a divulgar, anualmente, relatórios com dados sobre casos e ameaças de violência nas escolas, preservando o anonimato das vítimas e envolvidos. O objetivo é transformar os números em ferramenta de planejamento de políticas públicas, em vez de manter o problema invisível.

Na justificativa, o deputado cita dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública que mostram que crianças e adolescentes concentram parcela significativa das vítimas de violência sexual no país, muitas vezes em ambientes que deveriam ser de proteção. Pesquisas também indicam que a maioria das vítimas não denuncia por medo de retaliações ou por não confiar nos canais existentes.

Nos bastidores da política educacional, o projeto é visto como uma resposta direta à pressão por medidas concretas de proteção dentro das escolas. Mais do que criar um canal formal, a proposta coloca o Estado sob cobrança permanente: ao publicar relatórios anuais, o governo passa a ser cobrado por resultados, redução de casos e efetividade das políticas de prevenção.

Se sair do papel, a iniciativa tende a mexer com a cultura de silêncio que ainda envolve a violência sexual no ambiente escolar e força o poder público a assumir responsabilidade direta na proteção de alunos e profissionais da educação.