Recusa à doação de órgãos cresce no Espírito Santo

Recusa à doação de órgãos cresce no Espírito Santo

A recusa de famílias à doação de órgãos chegou a 55,9% no primeiro semestre de 2026 no Espírito Santo, enquanto 2.841 pessoas aguardavam por um transplante no estado até quarta-feira (19).

O levantamento citado pelo G1 foi elaborado com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Entre janeiro e junho, 57 famílias não autorizaram a doação em um total de 102 entrevistas realizadas pela Central Estadual de Transplantes. No mesmo período de 2025, foram 49 recusas em 88 entrevistas.

De acordo com a reportagem, o número de possíveis doadores aumentou, mas a proporção de negativas permaneceu acima da metade. No primeiro semestre deste ano, o Espírito Santo registrou 38 doações de órgãos, três a mais que no mesmo período do ano passado.

Até 19 de agosto, a fila estadual reunia 1.040 pessoas à espera de um rim, 1.726 de córneas, 66 de fígado e nove de coração. O jornalista aposentado Julius Cezar Carvalho Silva, de 66 anos, está internado em uma UTI e aguarda um transplante de fígado. A família passou a mobilizar conhecidos para conscientizar sobre a importância da doação.

Segundo Maria Machado, coordenadora da Central Estadual de Transplantes, entre os motivos das recusas estão o desconhecimento sobre como o procedimento é feito, o receio de deformação do corpo e a falta de conversa prévia entre parentes. Ela explicou que o corpo é reconstituído após a retirada dos órgãos e que o velório pode ocorrer normalmente.

No Brasil, a doação após a morte depende da autorização de familiares de até segundo grau, mesmo quando a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora. Por isso, a orientação é conversar com pais, filhos, irmãos ou cônjuge e deixar clara a própria vontade.

Fonte: [G1 Espírito Santo](https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/08/19/recusa-por-doacao-de-orgaos-aumenta-no-es-a-espera-e-uma-dor-muito-grande-diz-filha-de-paciente-na-fila-por-figado.ghtml).