Morre Marcelo VIPs, figura lendária do submundo dos golpes no Brasil

Morre Marcelo VIPs, figura lendária do submundo dos golpes no Brasil

Marcelo Nascimento da Rocha, o Marcelo VIPs — personagem que virou livro, documentário e até filme com Wagner Moura — morreu na terça-feira (9), aos 49 anos. Ele estava em Joinville (SC), onde trabalhava, e, segundo o advogado e amigo Roberto Bona Junior, a causa da morte foi cirrose hepática.

Marcelo ficou conhecido nacionalmente como “um dos maiores golpistas do Brasil”, mas, segundo quem conviveu com ele, os últimos anos foram de tentativa de reconstrução. “O Brasil conheceu o VIPs. Poucos conheceram o Marcelo de verdade. Ele errou muito, mas tentou escrever outra história”, disse o advogado nas redes sociais.

Da fama ao mito

Natural de Maringá (PR), Marcelo começou cedo no mundo das farsas. Conforme o livro VIPs: Histórias Reais de um Mentiroso, ele inventava identidades falsas desde os 14 anos, mesmo sem passar necessidade. Aos 18, afirmou ter virado piloto do narcotráfico enquanto vivia personagens que lhe rendiam acesso a festas, camarotes e gente poderosa.

O golpe que o imortalizou aconteceu em 2001, no Recifolia, quando se passou por Henrique Constantino, filho de um dos donos da Gol Linhas Aéreas. Ele deu entrevistas, andou de helicóptero, circulou como celebridade… até ser desmascarado e preso. A história virou documentário em 2010 e o filme VIPs, em 2011.

Prisões, fugas e tentativa de redenção

Marcelo acumulou acusações por estelionato, falsidade ideológica, documentos falsos e ligação com o tráfico. Passou por vários presídios e protagonizou pelo menos seis fugas cinematográficas. Em Mato Grosso, cumpriu anos na Penitenciária Central até passar para o semiaberto e, depois, para a prisão domiciliar.

Mesmo com a fama trazida pelo cinema, seguiu envolvido em investigações. Em 2018, foi preso na Operação Regressus, que apurava o uso de documentos falsos para obter benefícios judiciais.

Nos últimos anos, porém, tentava uma virada de chave: palestrava, escrevia sobre os erros que cometeu e trabalhava com produção artística. Segundo o advogado, ele buscava retomar vínculos familiares e viver longe do passado turbulento.

A morte reacendeu o interesse pelo nome que marcou o folclore policial do país. No Google Trends, as buscas por “marcelo vips” explodiram, com aumento de 200% em apenas um dia.

Imagem: @marcelovipsoficial / Instagram/Reprodução