Pazolini abre o Carnaval do Brasil com dois dias de espetáculo, avança com a Cidade do Samba e festeja nas arquibancadas do Sambão do Povo
Vitória abriu oficialmente o Carnaval do Brasil com dois dias de desfiles do Grupo Especial no Sambão do Povo, nos dias 6 e 7 de fevereiro, reunindo milhares de pessoas e consolidando a capital capixaba como uma das primeiras cidades do país a dar início à maior festa popular brasileira.
As noites foram marcadas por organização, arquibancadas e camarotes lotados, diversidade de enredos e um forte protagonismo cultural das comunidades do samba.
A sexta-feira (6) marcou a abertura da folia com a tradicional entrega simbólica das chaves da cidade à Família Real do Carnaval, seguida pelos desfiles de cinco escolas. A Pega no Samba abriu a noite exaltando a espiritualidade afro-indígena com o enredo sobre o Caboclo Sete Flechas.
Na sequência, a Novo Império levou à avenida a força feminina ancestral, enquanto a Unidos de Jucutuquara emocionou o público ao celebrar o protagonismo das mulheres.

A Mocidade Unida da Glória (MUG) apresentou um manifesto ambiental inspirado na naturalista Teresa da Baviera, e a Imperatriz do Forte encerrou a noite com um desfile marcado por beleza plástica, ritmo e raízes afro-brasileiras.
No sábado (7), o Sambão do Povo voltou a pulsar com mais cinco agremiações. A Rosas de Ouro abriu a segunda noite contando a história e as origens de São Mateus. A Unidos da Piedade homenageou Edson Papo Furado, ícone da irreverência carnavalesca capixaba. A Independente de Boa Vista levou o congo à avenida, reafirmando uma das matrizes culturais mais profundas do Espírito Santo.

A Chegou o Que Faltava propôs reflexão e identidade com o enredo “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”, e a Andaraí fechou os desfiles exaltando sua trajetória histórica no carnaval de Vitória.
Cidade do Samba: PMV dá mais um passo para o sonho se tornar realidade
Antes do início da segunda noite de desfiles, a Prefeitura de Vitória anunciou um marco histórico para o fortalecimento do samba capixaba: foi homologada a contratação da empresa responsável pela construção da Cidade do Samba, um antigo sonho das escolas e dos sambistas da capital.

Com 16 mil metros quadrados, o complexo será implantado na Avenida Dário Lourenço de Souza, no bairro Mário Cypreste, entre o Tancredão e o Sambão do Povo, próximo ao ponto de concentração das agremiações. A estrutura contará com dois galpões, totalizando sete barracões para a confecção de adereços, alegorias e montagem dos carros alegóricos.
Além dos barracões, o projeto prevê praça de eventos, área administrativa, pet park, parque infantil, estacionamento e orla urbanizada, garantindo funcionalidade, conforto e integração urbana. O espaço também será preparado para receber eventos de menor porte, ampliando as possibilidades de uso ao longo do ano.

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, destacou o alcance social e cultural do investimento. “A Cidade do Samba representa muito mais do que um espaço físico. É dignidade, inclusão e reconhecimento a quem constrói o carnaval capixaba. Será um equipamento público sustentável, pensado para acolher trabalhadores, famílias e até os pets. Estamos falando do maior investimento da história do samba no Espírito Santo, um marco para nossa cultura e uma vitrine para o Brasil”, afirmou.
Integrado ao projeto Vitória de Frente para o Mar, o novo equipamento permitirá inclusive o acesso por embarcações, ampliando o potencial turístico e de visitação.
Para o secretário de Governo e Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Luciano Forrechi, o objetivo vai além da logística dos desfiles. “Queremos estabelecer um marco fundamental para uma cidade que abre o Carnaval do Brasil todos os anos, criando um espaço que valorize o samba como cultura, gere desenvolvimento econômico e fortaleça a identidade da região”, pontuou.
Para o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (LIESGE), Edson Neto, a Cidade do Samba é uma necessidade histórica.
“Essa estrutura vai trazer dignidade, economia e organização. Evita transtornos vividos em carnavais anteriores e valoriza artistas, soldadores, costureiras, carnavalescos e todos os profissionais que fazem essa festa acontecer.
O carnaval de Vitória vai melhorar muitas vezes mais. Estamos vivendo um momento histórico”, destacou.
Com dois dias de desfiles de alto nível e avanços estruturais inéditos, Vitória reafirma seu papel como referência cultural, turística e organizacional, consolidando-se definitivamente como a cidade onde o Carnaval do Brasil começa.
Oportunidade
A emoção se espalhou pelas arquibancadas do Sambão do Povo. A professora Luciana Ribeiro, 42 anos, acompanhou o desfile atenta, celular abaixado, visivelmente emocionada.
“Foi um desfile que não passou correndo. Ele ficou. Cada parte fazia sentido, cada verso do samba conversava com o que estava sendo mostrado. Saio daqui com vontade de conhecer ainda mais São Mateus.”
Já o comerciante Carlos Henrique Souto, 51 anos, destacou a importância do Carnaval para além do espetáculo.
“Pra gente que trabalha com comércio, esse movimento faz toda a diferença. São dias que ajudam a fechar o mês, a complementar a renda da família. Enquanto a escola conta a história na avenida, a cidade inteira gira junto. É gente vendendo, trabalhando, acreditando.”
O desfile também foi marcado por histórias pessoais de recomeço. Marcos Vinícius Duarte, 41 anos, celebrou o retorno à avenida após cinco anos afastado. “Voltar ao carnaval agora é um marco na minha vida. Vivi muitas coisas, fechei ciclos importantes e sinto que esse desfile abre um novo. Estou muito feliz por a Andaraí me dar essa oportunidade.”
Conscientização
A Subsecretaria Municipal da Mulher da Prefeitura de Vitória realizou mais uma importante ação de conscientização durante os desfiles das escolas de samba no Sambão do Povo. A campanha “Não é Não” esteve presente, nesta sexta-feira (06) e sábado (07), na avenida do samba, reforçando o combate ao assédio sexual e à importunação sexual em grandes eventos.
A iniciativa contou com ações estratégicas pelas áreas de arquibancada e demais espaços do Sambão do Povo e a distribuição de leques informativos, trazendo mensagens de alerta e orientação sobre como identificar e denunciar situações de assédio.
Além da conscientização, a campanha também orientou o público sobre como agir diante de situações de violência. Se for vítima ou presenciar um assédio, a recomendação é denunciar ligando 180 ou 190. A Polícia Militar e a Guarda Municipal estarão presentes no local durante todo o desfile das escolas de samba.
O objetivo da ação foi promover um ambiente mais seguro, respeitoso e acolhedor para todas as pessoas, especialmente para as mulheres, durante um dos eventos culturais mais importantes da cidade.
A subsecretária da Mulher, Deborah Alves, ressaltou a importância da abordagem clara e acessível junto ao público.
“Estarmos presentes no Sambão do Povo reforça o nosso compromisso com todas as mulheres. Este é um espaço de alegria e celebração, mas também um momento de conscientização. Por isso, estarmos no Sambão para levar informação de forma simples e direta, é essencial para prevenir qualquer tipo de violência contra a mulher”, disse.
Recicla Folia
A capital capixaba reafirmou seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental por meio do Recicla Folia, projeto que já se consolidou como uma das iniciativas mais simbólicas do carnaval de Vitória.
Em sua 17ª edição, a ação voltou ao Sambão do Povo para dar destino correto às fantasias e adereços utilizados nos desfiles das escolas de samba, mostrando que a festa pode continuar mesmo depois que as agremiações cruzam a avenida.
“Desde os ensaios técnicos até os dias oficiais de desfile, equipes do projeto estão presentes no Sambão do Povo, orientando os participantes sobre como descartar corretamente fantasias e elementos cenográficos após a dispersão”, explica o secretário Leonardo Amorim, da Central de Serviços.
Durante os desfiles, voluntários conhecidos como “Foliões Ecológicos”, facilmente identificados pelas camisetas do projeto, ficaram posicionados em pontos estratégicos para receber as doações. Todo o material recolhido é encaminhado para tendas de armazenamento e, posteriormente, passa por triagem.
A coordenadora de coleta e articuladora do Núcleo de Desenvolvimento Socioambiental e Cultural do projeto, Cida Moschen, explica que o trabalho vai além da limpeza pós-Carnaval. “Quando reaproveitamos essas fantasias, evitamos impactos ambientais e, ao mesmo tempo, fortalecemos a economia criativa, a arte e a educação”, destaca.
Ao longo de sua trajetória, o Recicla Folia já evitou que mais de 50 toneladas de resíduos tivessem como destino irregular as praias, manguezais e áreas urbanas da cidade.
As fantasias e adereços arrecadados ganham novos usos e beneficiam diferentes setores. Blocos carnavalescos do Espírito Santo e de outros estados, grupos de teatro, escolas públicas e privadas, produtores culturais, artesãos independentes e iniciativas de economia solidária estão entre os destinatários.
Unidades de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), também utilizam os materiais em atividades terapêuticas e artísticas, ampliando o alcance social do projeto.
O Recicla Folia não se limita ao período carnavalesco. Ao longo do ano, o projeto promove oficinas, ações educativas e atividades formativas voltadas ao reaproveitamento de materiais.
A proposta é estimular o consumo consciente e reforçar a ideia de que resíduos podem se transformar em oportunidade, renda e expressão cultural.
Entre as ações incorporadas recentemente ao projeto está a coleta de tampinhas PET nos camarotes, realizada em parceria com o Programa Tampinha do Bem, do Sindiplast-ES. O material arrecadado é convertido em recursos destinados a entidades assistenciais, ampliando o impacto social da iniciativa.
Outro destaque é o projeto Re-Colheita, desenvolvido pela designer Juliana Lisboa, em parceria com a Fantástica Carpintaria e a Cidade Quintal. A proposta transforma materiais recolhidos pelo Recicla Folia em estruturas e mobiliários sustentáveis, utilizados no próprio Sambão do Povo, reforçando o conceito de circularidade dentro do evento.
Em 2026, o Recicla Folia segue mostrando que o Carnaval de Vitória pode ser também um exemplo de consciência ambiental, inclusão social e cuidado com a cidade, dentro e fora da avenida.
Carnaval da inclusão
Usuários cadastrados no serviço Porta a Porta contaram com transporte também durante os desfiles das escolas de samba, no Carnaval de Vitória. O sistema é exclusivo para pessoas com deficiência que utilizam cadeiras de rodas e um acompanhante. Os veículos circularam durante toda a noite e também na madrugada.
Portanto, nesta sexta-feira (6) e sábado (7), eles puderam utilizar os veículos para ir ao Sambão do Povo, nos dois dias de desfile das escolas de samba. Para garantir o transporte, é necessário que o usuário agende seu atendimento.

A Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) montou uma escala especial para atender ao publico. Houve uma área demarcada onde os cadeirantes tiveram uma estrutura adequada e confortável, inclusive com banheiros exclusivos.
Segundo o secretário de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, Alex Mariano, a intenção é que o serviço Porta a Porta, utilizado com diversas motivações, como trabalho, consultas médicas, esportes, atividades diversas, também seja utilizado em evento e lazer.
“O Carnaval é um dos maiores eventos aqui no Espírito Santo, uma oportunidade de diversão para todos, inclusive para aqueles quem têm dificuldade de se locomover e utilizam cadeira de rodas para deslocamentos.
É um público atendido o ano inteiro em Vitória e que tem no lazer uma das motivações”, destacou Alex.
O gestor explicou que o destino pode ser uma igreja, um parque, um evento, o shopping, o Projeto Praia Legal ou algum outro. O usuário tem durante todo o ano conforto para ir e vir com toda comodidade, pois a diversão é fundamental também.
Desde que o serviço foi retomado em junho de 2022, já foram realizadas 8.121 viagens a lazer, representando 10,72% do total. Somando os deslocamentos por saúde, educação, trabalho e lazer, foram realizadas 85.060 viagens.
A maior parte das viagens ocorreu por motivos de saúde, seguido por educação e trabalho.
O serviço funciona todos os dias, das 4 horas até a meia-noite, inclusive aos finais de semana e feriados. Atualmente, estão cadastrados 501 usuários aptos a utilizar o serviço.
O serviço Porta a Porta, da Prefeitura de Vitória, foi ampliado, e cadeirantes que moram na capital e estão cadastrados junto à Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) passaram a ser atendidos com uma melhor estrutura em comparação com a observada anteriormente.

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