Aposentados do ES podem receber 13º já em abril e maio
A antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS voltou ao centro do debate e pode beneficiar cerca de 600 mil pessoas no Espírito Santo já nos meses de abril e maio. A medida, que depende de decreto presidencial, vem sendo adotada pelo governo federal nos últimos anos e, se confirmada, deve injetar cerca de R$ 78 bilhões na economia em todo o país.
No Espírito Santo, a maioria dos beneficiários recebe até um salário mínimo. São mais de 560 mil pessoas nessa faixa de renda, o que reforça o peso social da antecipação do abono. Para muitos aposentados, o 13º deixou de ser um “extra” e passou a funcionar como complemento essencial no orçamento mensal.
O Ministério da Previdência prepara uma nota técnica para formalizar a proposta e encaminhá-la ao Ministério da Fazenda. A expectativa é que o decreto seja assinado até o início de abril. Caso isso aconteça, a primeira parcela será paga junto com os benefícios de abril, a partir do dia 24, e a segunda em maio, a partir do dia 25.
O abono é pago a quem recebe aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente ou auxílio-reclusão. Já beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) não têm direito ao 13º, por se tratar de um benefício assistencial, e não previdenciário.
Apesar do alívio imediato para milhares de famílias, especialistas alertam para um ponto pouco falado: antecipar o 13º resolve o agora, mas esvazia o fim do ano. Como o pagamento tradicionalmente ocorre em agosto e novembro, a antecipação reduz o fôlego financeiro no período de despesas típicas, como fim de ano e início de ano seguinte.
O debate sobre um possível 14º salário para aposentados, por outro lado, segue distante da realidade. A proposta já foi discutida no Congresso, mas enfrenta forte resistência por impacto orçamentário. Juristas avaliam que, no cenário fiscal atual, a criação de um novo benefício permanente é praticamente inviável, especialmente diante da fila de concessões do INSS e da pressão sobre os cofres públicos.
Na prática, a antecipação do 13º é vista como uma medida paliativa: ajuda no curto prazo, movimenta a economia e traz alívio imediato, mas não resolve o problema estrutural da renda dos aposentados, que segue insuficiente para cobrir todas as despesas básicas.

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