Supermercado é condenado por racismo após acusar cliente de furto na Serra
Um supermercado foi condenado a pagar R$ 15 mil de indenização a uma cliente negra acusada injustamente de furtar produtos em uma unidade na Serra, na Grande Vitória; a empresa também deverá adotar treinamento antirracista para equipes de segurança.
O caso aconteceu em abril, depois que a consumidora fez uma compra de R$ 107,57 em um caixa de autoatendimento. Segundo a decisão judicial, ela apresentou a nota fiscal ao sair do estabelecimento, mas foi abordada novamente na rua por um segurança e obrigada a retornar ao supermercado.
A funcionária alegou que a cliente teria levado duas bandejas de carne e pago apenas uma. Uma nova conferência do comprovante, porém, confirmou que a compra havia sido paga integralmente. A abordagem durou cerca de 30 minutos e foi acompanhada por oito clientes, de acordo com o relato de uma testemunha citado na sentença.
A cliente afirmou à Justiça que sofreu abalo psicológico, humilhação e constrangimento. A decisão considerou que a acusação infundada, a perseguição na rua e a revista ostensiva em público ultrapassaram os limites da proteção patrimonial e configuraram discriminação.
O julgamento também apontou a aplicação de protocolos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para decisões com perspectiva racial e de gênero. Conforme a sentença, abordagens em estabelecimentos comerciais podem reproduzir padrões de suspeição baseados em raça, cor e classe social.
Além da indenização, o supermercado deverá adotar protocolos de treinamento antirracista e antidiscriminatório para as equipes de segurança e fiscalização. A defesa do estabelecimento não compareceu à audiência, apesar de ter sido notificada. À reportagem, o Supermercado BH informou que ainda aguardava um retorno da assessoria jurídica.
Fonte: [g1 ES](https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/08/26/supermercado-e-condenado-por-racismo-apos-acusar-cliente-de-furtar-bandeja-de-carne-na-serra.ghtml).

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