Mar ou Piscina? Descobri Onde Está o Surf Mais Divertido da Minha Vida

Mar ou Piscina? Descobri Onde Está o Surf Mais Divertido da Minha Vida

Da frustração do mar flat à experiência de escolher a onda no cardápio, o surf mudou para sempre.

No papo de atleta amador de hoje vou falar sobre uma experiência que mexeu comigo: surfar na piscina de ondas e comparar com o surf no mar.

Surfo há mais de 30 anos. Comecei na porta de casa, no Balneário de Manguinhos, na Serra, que para mim é um dos melhores lugares do Espírito Santo para surfar. Fundo de coral, ondulação segura e, quando quebra, é altas ondas mesmo.

EU em Regência nas milhões de vezes que já fui frenquentando lá desde 1995

Na década de 90, adolescente, eu e meus amigos sempre sonhávamos: “Imagina se um dia inventarem uma piscina de ondas?”.

Quantas vezes cheguei na praia e estava flat ou mexido com vento, previsão nada confiável. O jeito era ir assim mesmo e torcer para dar bom.

EU em Mentawai, Chicama e kilometro 59 em El Salvador

Com o passar do tempo fui ficando mais bem-sucedido, o que me permitiu viajar para surfar em lugares como Peru, Nicarágua, El Salvador e Indonésia.

Mas hoje tenho 44 anos, sou pai, marido e empresário. Já não tenho aquele tempo de ficar na praia esperando o swell. Virei um surfista de alma, apaixonado, mas que encaixa o surf na vida adulta da minha realidade.

E não é que aquele sonho de adolescente chegou?

Os caras criaram a piscina de ondas. Para ser sincero, eu só acompanhava de longe, sabia que a galera estava tentando desenvolver essa tecnologia, mas nunca imaginei que já estava tão avançado.

Até que um dia, num churrasco de família, vi meu irmão Rosental, o Zeba, postar no Instagram que tinha surfado numa dessas piscinas aqui no Brasil.

Não acreditei. Achei que era alguma trip internacional com aquelas ondas azuis de filme. Quando vi que era aqui, pirei. Me informei, agilizei e marquei logo uma viagem. E, claro, levei a família junto.

Cheguei lá e fiquei perplexo. O negócio funciona.

Confesso que até fiquei preocupado, será que eu ainda sabia surfar?

Mas a base sólida que construí ao longo de 30 anos me garantiu bons tubos e várias manobras. Voltei para casa alucinado.

Esse sou EU, brincando nos tubos de clóro na piscina mágica

Na segunda vez levei meu irmão, praticamente arrastei ele, ele tinha que viver aquilo comigo e para melhorar ainda mais a trip o Zeba apareceu de surpresa, ai a festa ficou melhor ainda!

EU e meu irmão Rômulo…. Será que ele tava amarradão?

Estávamos lá, três amigos de infância, surfando o sonho de moleque. Pegamos altas ondas, altos tubos, foi incrível. Zero frustração, só alegria.

Da esquerda para direita, Rosildo, Zeba, Rômulo, Jihad Khodr, o Salva vidas da Surfland que não me recordo o nome e EU…

Mas, por falar em frustração, a piscina revelou um detalhe que ninguém fala. Ela não tem caô. A onda é sempre perfeita, não tem crowd, não tem variação. Isso significa que não existe desculpa.

Ou você surfa, ou você não surfa.

Vi muita gente frustrada, que na cabeça acha que pega altas, mas ali não rende nada.

A piscina expõe a verdade: quem é agarrado, quem é intermediário e quem é quebrador.

E pior, ou melhor, tudo fica registrado. Tem fotógrafo, tem filmagem. A máscara cai de vez. Mas esse é o lado bom também, dá para usar como treino e melhorar a performance.

Se você manda mal na piscina, não é no mar que vai mandar bem. Admita a realidade e trabalhe para evoluir.

Para quem pega bem, como eu e outros amigos, é só alegria. Eu perdi a conta de quantos tubos fiz e quantas vezes saí seco pela bica. Foi insano. Saí de lá agradecido, pensando: “Graças a Deus vivi para ver isso”.

E sabe mais? Eu volto em breve.

Viva a tecnologia, viva o surf moderno e viva a possibilidade de realizar um sonho de adolescência agora com hora marcada.